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A importância do toque

Estabelecer vínculo entre o bebê e seus pais é fundamental para que o recém-nascido se sinta seguro e protegido. Sabe-se que experiências muito precoces das nossas vidas, desde a concepção, irão definir nossos padrões futuros de interação social.

Evidências científicas claras demonstram que crianças cujas figuras parentais oferecem cuidados sensíveis e responsivos às suas demandas, desenvolvem ligações seguras com esses cuidadores. Crianças que possuem pais insensíveis, imprevisíveis ou intrusivos desenvolvem apegos que são inseguros, colocando-os em risco de consequências adversas para uma série de aspectos de seu desenvolvimento psicossocial. São mais dependentes dos professores, mostram menos expressões afetivas positivas, possuem habilidades de resolução de problemas sociais prejudicadas, demonstram mais frustração e menos persistência, possuem respostas mais negativas aos outros e menos competência social em geral.

O papel das primeiras experiências de relacionamento e o desenvolvimento de habilidades de autorregulação infantil têm sido associados à capacidade da criança de controlar respostas comportamentais e fisiológicas, como raiva, agressividade e ansiedade, além de contribuir para a recuperação de traumas.

As experiências da infância sabidamente moldam a saúde neurológica e psicossocial para toda a vida, positivamente ou negativamente. O vínculo pais-bebê fornece uma base para futuros relacionamentos e boa saúde mental em crianças e adultos.

O principal hormônio estudado nas relações de vínculo é a ocitocina, conhecidamente presente no orgasmo durante a relação sexual, no parto para a contração uterina e na ejeção do leite durante a amamentação.

Na mulher, o papel principal da ocitocina é auxiliar o processo de parto e amamentação. Também é liberada em resposta a interações sociais positivas em ambos os sexos, promovendo a cognição social e a empatia, e desempenha um papel na mediação social, no apego e no comportamento materno. Fornece proteção contra estresse e ansiedade, atenuando as respostas fisiológicas do corpo aos eventos estressores. Mães que amamentam, por exemplo, mostraram ter maiores níveis de ocitocina plasmática do que mães que alimentam com fórmula. Mães pós-amamentação têm níveis reduzidos de cortisol (hormônio relacionado ao estresse), influenciados pelo aumento da ocitocina.

Pesquisas envolvendo o contato pele-a-pele evidenciaram níveis mais elevados de ocitocina e reduzidos de cortisol durante o contato pele-a-pele. A proximidade e o contato afetuoso entre os membros da família influenciam nos níveis de ocitocina não só do bebê e da mãe, mas de todos os familiares envolvidos. O papel da ocitocina nesse processo ressalta a importância dos toques maternos e paternos durante a fase inicial de desenvolvimento familiar. Os níveis de ocitocina infantil também foram correlacionados com a ocitocina materna, mostrando uma transferência transgeracional por meio dos cuidados no início da vida.

Assim entendemos um pouco mais do quão importante é o contato físico para o estabelecimento do vínculo e da saúde. Vamos valorizar o contato pele-a-pele após o nascimento, nas unidades neonatais com os prematuros e no nosso dia-a-dia por toda a infância.

Pediatra Deborah Tockus Rocha CRM 26952 RQE 2928 integrante da equipe Alecrim Dourado Pediatria

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